22

Jun 2007

Inverno

O solstício foi ontem, o inverno começou oficialmente ontem. Mas uma coisa que um amigo meu (Marcos Reis) falou uma vez me fez pensar: os solstícios e equinócios, se você pensar bem, não são o começo da estação, mas o meio dela: o solstício de inverno é quando temos menos luz de sol, e então fica mais frio… mas se temos x horas de sol no solstício de inverno, e nos equinócios temos x+y, porque o inverno não é o período em que temos x+y/2 até o outro x+y/2?

Acho que não fui muito claro, mas nem importa, esta data é importante pra mim, importantíssima! É uma daquelas que eu fico esperando, contando os dias, e quando chegam fico eufórico. Eu vivo esperando pelo 15 de fevereiro, pelo 20 de março, pelo solstício de inverno e por setembro inteiro! Cada uma destas datas guarda uma coisa especial pra mim… e esta guarda um espelho negro, um lago sem uma onda, uma forte tendência a introspecção. Mais ou menos nessa época eu passo por dias mudos, simplesmente mudos… e silenciosos, não gosto nem de ouvir.

O inverno é minha estação favorita, prefiro fazer tudo no inverno, nas outras épocas eu espero – no verão eu não existo.

Ia só citar o inverno… mas falei tanto.

Estou triste hoje, esta época me deixa confuso, época de arrumar a bagunça interna (do quarto inclusive). Tem sentimentos que eu tenho que às vezes imagino como seria fácil viver sem… ou se eu simplesmente conseguisse vivê-los direito.

Enfim, estou ansioso pelo próximo mês: poderei dormir pelo menos oito horas por noite de novo. =)

20

Jun 2007

Compra-se horas de sono

E hoje eu acordei no meio da noite pensando que não estava sozinho, tinha alguém comigo num iFrame. Era só uma programação de quatro linhas e a pessoa estava em dois lugares ao mesmo tempo.

Mas iFrame também era o nome de uma camisa em formato de delta, que funcionava como asa delta também, e um ursinho de pelúcia vestia.

E indo pro trabalho o ônibus subiu o viaduto mas caiu pela sombra e começou a andar pela via de baixo.

Mais coisas aconteceram, mas eu não consigo lembrar: a minha memória, sim, consegue dormir.

15

Jun 2007

O milagre de chegar em casa

Hoje fiz um caminho diferente para voltar do trabalho, e ter chegado tão rápido, apesar de ter saído quase no horário do rush, foi praticamente um milagre.

Cheguei em casa, tomei um café, liguei o computador e fui ver e-mails, notícias (pelo iGoogle, amo iGoogle) e achei uma falando do caos que São Paulo passou por esta tarde: manifestação, metrô quebrado, acidentes, recordes de congestionamentos…

Estava tudo parado, lotado, cheio de filas… mas eu passei por tudo isso, sentado e rápido.

O primeiro ônibus que passou no ponto ignorou meu sinal – sorte minha. Peguei o segundo, experimentando um novo caminho. Normalmente eu demoraria uma hora e meia pra chegar em casa, e passaria disso, pelo menos 50 min num ônibus lotado, em pé e cheio de gente suada, por causa do horário. Mas eu fui sentado, o ônibus estava quase vazio, e ‘ignorando’ congestionamentos, as linhas que eu peguei só passam em corredores.

A manifestação dos estudantes e professores da USP começou no MASP às 16h… mais ou menos nesse horário eu estava passando ‘por baixo’, na Av. 9 de Julho, e dormindo.

Mas tem o viés que pra isso eu preciso pegar metrô – e eu passei pela Sé, na linha vermelha, sem nem desconfiar que a linha azul estava com problemas, naquela mesma estação! – e daí pagar mais.

Em São Paulo, chegar em casa inteiro e de bom humor, depois de atravessar a cidade, é sempre um milagre…

26

May 2007

Sobre pessoas e destinos

É tão difícil e dolorido quando a gente nota que um sentimento que foi tão grande deixa de existir.

Ver as pessoas mudando, e mudando para longe da gente, machuca – mais o ego que o coração, mas a dor ainda está ali.

É ruim notar que estamos seguindo um caminho que não é mais o mesmo, que estamos nos distanciando daquelas pessoas que conhecemos numa encruzilhada por aí. Eu sinto falta de muita delas. Mas eu sinto mais falta daquelas que por um tempo seguiram comigo… pareceu que seguiriam para sempre.

Mas eu fui egoísta, existem caminhos que estão ali para serem seguidos sozinhos.

A saudade está aí, vinda daquelas pessoas que cruzaram a minha vida para me fazer lembrar do meu caminho, e da minha força. Umas pessoas que surgiram, aconselharam ou correram, me olharam com carinho ou me encararam secamente. Mas são todas pessoas que me fizeram lembrar.

Mas a dor está aqui. O monstro continua se alimentando, roendo as raízes da árvore que sustenta a minha alma, lá no meu coração, e vai ficar até matar essa alma, até poder sair de lá, devastando tudo que encontrar.

E também dói quando aprendemos a amar alguém que sabemos que se distanciará de nossos caminhos.

Isso tudo só me faz lembrar que amor não deve exigir. No momento que faz isso começa a envelhecer e a morrer… envenenado.

17

May 2007

Computador Novo: Imp e Leprechaun

E eu comprei um computador novo, a configuração dos meus sonhos! Não, não chegou a tanto. Mas foi um ótimo computador.Isso já faz bem umas duas ou três semanas, foi na loja SPB, na Vila Mariana.Na primeira semana eu instalei e reinstalei o Windows, em tantas versões quanto consegui, tantas vezes quanto deu tempo. E cada vez um novo erro, uma nova surpresa, algo funcionava, outra coisa não. Era como se eu jogasse um jogo de roleta, ou aqueles jogos de azar que nunca as três roletas mostram as mesmas frutas alinhadas!Levei o Imp pra loja (Imp foi o nome que eu dei pro computador, aqueles “demônios” de estimação, que diziam na Idade Média que as bruxas tinham deles, eram normalmente cruéis, mas freqüentemente faziam coisas boas, pra conquistar atenção e amizade de alguém, são demônios carentes), passei meu sábado lá, passando raiva.E foi decidido que seria trocado!Fiquei então sem PC, e tenso, já que meus arquivos estavam num backup lá na loja, de sábado a terça-feira (ontem), e meus projetos, meus planos, minhas “comunicações” atrasaram… Atrasaram… Atrasaram…O novo computador recebeu o nome de Leprechaun, e funcionou!Eu reclamo da loja pela desorganização, pela decoração horrível, pelo pessoal despreparado e até parece informal. Mas eu fui bem atendido, dentro das possibilidades.Acho que estou muito chato pra atendimentos e procedimentos de empresas, passo muito tempo no Brooklin, e esse ar deixa a gente fútil.Apesar que mesmo nessa futilidade toda, eu ainda cultivo meu lado mais curioso e crítico, logo que comecei a trabalhar por aqui fui procurar algo sobre o Rio Pinheiros. Gosto dele, ele me passa uma sensação boa, atrás de toda a poluição dele, claro. O nome dele era Jurubatuba, que significa Rio Turvo, sujo… mas também se liga com Palmeiras, que, dizem, eram fartas pelas margens do rio.Gostaria muito de viver uma época de respeito aos rios…

10

May 2007

Frio

Esfriou.

E eu adoro frio. Adoro me vestir com várias camadas de roupa, adoro usar cachecol. E adoro mais ainda quando bate o vento e ele tenta voar, mas não sai do pescoço.

O vento gelado me inspira.

E nenhuma música poderia combinar mais com o frio repentino que Sigur Rós e Dead Can Dance. Passei o dia todo ao som de um ou de outro.

Os clipes de Sigur Rós são maravilhosos! Procurem no YouTube. O meu favorito é o Glósóli, mas Saeglopur, Hoppippola, Untitled #1 (Vaca) também são lindos! Cada um deles merecia um post especial.

Já Dead Can Dance eu conheci pela DonaMariposa, e é o tipo de música que me inspira, que me dá vontade de criar, de inventar. É a música que eu coloco para escrever, para desenhar, para arrumar o quarto, para conversar, para descansar… para tudo! Ela é boa pra tudo isso! Ela me deixa concentrado. No YouTube tem alguns clipes, mas admito que nunca assisti algum com toda essa concentração.

03

May 2007

Aventuras no Ônibus

Hoje no ônibus na volta para casa fui acordado de meu cochilo por um homem gritando pro motorista ir direto pro hospital: uma mulher estava passando mal, não sentia o corpo.

Engraçado como as pessoas reagem: umas se encolhem duvidando, outras com medo, outras (a maioria) começa a resmungar, ouvi até o comentário que existia o 911 para isso, e que o motorista não deveria levá-la.

No fim o motorista levou, mas eu não vi o que aconteceu, preferi descer e pegar um terceiro ônibus, pelo menos eu desceria mais perto de casa… e acabei chegando mais cedo que o normal. Mas eu achei bonita a atitude do motorista, de pisar fundo e ignorar os passageiros irritados, mesmo que isso não seja mais que a obrigação dele. E me diverti com os resmungões por acabarem ficando lá dentro.

Mas andar de ônibus sempre trás histórias para contar: ora uma pessoa resolve tirar a roupa lá dentro, ora tem uma dona cantando hinos evangélicos, muito desafinada, e um menino sentado do seu lado com a unha do dedão muito estranha rindo tímido, tentando puxar assunto.

Ou alguém que a gente encontra. Ou um motorista que gosta de fechar outros, que brinca de racha e faz a gente ter que ir até a terceira faixa pra conseguir embarcar no ônibus. Ou, a gente acaba encontrando alguém que deixa a gente mudo, e reencontrando mais uma vez, e outra… e sempre é assim, a gente continua mudo, sem saber o que fazer.

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