03
Jan
Dilema
Ego nunca pode refletir o Eu. Então ninguém é autêntico como pensa que é.
Autencidade é não ser.
03
Jan
Ego nunca pode refletir o Eu. Então ninguém é autêntico como pensa que é.
Autencidade é não ser.
30
Dec
Janeiro
Só o otimismo, vontade de crescer na MZ, sonhos pra um projeto que parecia que tinha tudo pra dar certo.
Fevereiro
Bônus na MZ, estava entre os colaboradores com maior desempenho no semestre, meu departamento bombando e eu era responsável pelas aprsentações, minha vida era um sonho.
Março
Caí da cama, comecei o mês me apaixonando por quem não devia, mas mesmo assim eu tentei. Tentei por três meses. Começaram as frustações na MZ, problemas de comunicação, virei noites trabalhando, não recebi nada além de críticas… queria férias, não aguentava mais, e não consegui, meu desempenho caiu.
Abril
Meu mundo de perfeição desfalecia, amigos eu já tinha bem poucos, quem era mais próximo começou a me confundir mais, criticando como eu era, que eu não era mais o mesmo… Minha paixonite continuava frustada, eu continuava ali, mais problemas no trabalho.
Maio
Meu mundo caiu. O emprego ganhou o status de insuportável na minha vida, consegui “férias” de três dias emendadas com algum feriado, fui pra Curitiba, tomei dois canos de três pessoas que eu conhecia na cidade, minha gastrite fez meu estômago explodir. Decidi pedir demissão, mas também decidi esperar mais.
Junho
Desisti da minha paixão de março. E em junho fica o que eu considero o meu “ano novo”, a minha época de repensar a vida. E eu repensei. Passei a sair menos com quem me fazia sentir mal com o que eu era naquele momento, fiz novos amigos, decidi frequentar um círculo que meus entãoamigos sempre criticavam e me surpreendi, conheci muita gente nova, conheci um mundo novo. Eu vi cor na vida de novo. Reencontrei antigos amigos.
Julho
Pedi demissão, ganhei o bônus de novo e foi decepcionante. O elevador caiu uns quatro andares comigo dentro, foi bem traumatizante. Foi o começo de um relacionamento. Viajei. Descansei. Gastei fortunas com remédios contra gastrite.
Agosto
Mais fortuna com gastrite. Foi o mês que mais fui pro cinema, foi o mês que mais saí. Novos amigos,nova agenda, nova vida, tudo parecia perfeito e lindo. E eu descansei. Minha paixonice de outono voltou como amizade.
Setembro
O prenúncio de uma tempestade. “Vomitei” coisas engolidas há muito tempo, o relacionamento virou namoro, algumas amizades se confundiram. Eu fiquei confuso… Foi o começo da primavera, eu comecei a tentar ser livre.
Outubro
Torres caíram. Namoro terminou. O descanso acabou, voltei a trabalhar, mas em casa. Amizades fortes se abalaram, talvez eu tenha me equivocado. Aprendi lições inestimáveis. Lancei o Agenda Pagã.
Novembro
Novos amigos. Ritual. Celebração. Os laços se afrouxaram, o espaço cresceu, eu tive espaço pra abrir as minhas asas e meus espinhos. Tive mais decepções, por elas e por elas serem confundidas com raiva, fui mal interpretado, fiquei chateado.
Dezembro
Tudo ficou óbvio. Novos trabalhos, novas perspectivas. Novos círculos de amigos. Saudade de alguns antigos. Últimos dias do ano sozinho em casa, está sendo ótimo pra mim.
Geral
Esse ano foi dolorido, cheio de traumas, de decepções. Mas a isso sempre se seguiu felicidade, superação e um gostinho de liberdade. Foi um ano pra eu treinar minha ousadia, pra eu experimentar da minha essência e viver como eu gosto, sem me preocupar em agradar os outros, sem viver em função dos outros. Meu 2008 se resumiu na primavera… mas eu ainda quero ver meu verão, ainda quero saber o que me aguarda no outono.
Das minhas metas segui quase nenhuma. Por isso desde a primavera eu tenho metas (ou perspectivas) por estações.
Se eu tivesse que escolher uma música pra 2008 seria Declare Independance, da Björk. (eu me lembro do show dela ainda, lembro dela encerrando com essa música)
Ou a Journey to the Underworld, de Sigur Rós, em trilha para o filme islandês Angels of the Universe.
28
Dec
Escrevi este texto em Agosto mas não coloquei aqui no blog. Coloco pra depois desenvolver mais sobre o assunto.
23
Dec
Deixa eu desabafar um pouco.
Eu detesto domingos, e o natal pra mim parece um “super domingo”, sentiram a força do meu sentimento pelo natal?
Mas ok. Não é isso que anda me chateando mais. Porque eu passo pelo natal como passo por todos os domingos do ano, ignoro. Eu simplesmente não levo a sério nada que eu sinto em domingos, minhas “emices” e carências, minhas saudades, minhas vontades… ignoro, como se não fosse meu.
Mas… esses dias eu ando bem chateado com certas amizades. Não que são pessoas que não estão vivendo como eu queria que vivessem, talvez seja o contrário, gente que se chateou comigo porque eu não quero seus valores e seus ideais pra mim. Eu não posso seguir esses conselhos insanos, disfarçados de bom senso, que eu tentei uma vez e só me levaram a um abismo… que eu não conheci o fundo porque “aprendi a voar” antes de chegar lá.
Resultado da minha aparente negligência? As pessoas se magoam, vão embora.
Mas eu entendo. Só faço que não. Um dia eu aprendi que entender os motivos do outro não nos obriga a perdoar. É realmente uma carga pesada perdoar a todos, para mim soa como carregar pessoas nas costas. Eu prefiro passar alguns dias chateado do que levar uma pessoa nas costas a vida inteira, ou até ser “enforcado” porque não ando rápido o suficiente.
Eu falo perdoar no sentido de fingir que nada aconteceu. Não guardo mágoa, mas me afasto pra me preservar de uma nova ferida.
Não é divertido ser visto como “grande amigo”, “conselheiro” e “única pessoa que poderia me ajudar neste momento”, cargas muito pesadas. Às vezes eu penso que quero ser a “sombra”, aquele sozinho ali no canto, é muito mais leve viver daquele jeito.
Uma amiga um dia sumiu, ficou incontactável, mas eu insisti e consegui falar com ela. Ela só me disse que precisava ficar sozinha como precisava de comida. Cada dia eu entendo isso mais e mais, já estou quase no ponto de dizer isso sobre mim.
Daí preciso aprender a diferenciar amigo de assistenciado.
Que vocês tenham um ótimo natal, um bom fim de ano e um bom começo. Mas pra mim essas datas não são nada, a data especial pra mim é outra.
11
Dec
Venus abdicans
cognatum Neptunum
Venit applicans
Bacchum oportunum.
Quem dea pre cunctis amplexatur unum
Quia tristem spernit et ieiunum.
Eu conheci Corvus Corax (veja no LastFM) pela Luciáurea, ela me mostrou uma música a Vênus, e eu me apaixonei, ela está no youtube também e eu recomendo ouví-la.
Quando fecho os olhos ouvindo a música me vejo dançando uma dança circular, em volta de uma estátua enorme de Vênus, sinto como se estivesse com pra própria deusa, eu entendo isso como uma verdadeira experiência religiosa, sentir alguma divindade conosco, seja ela qual for.
Pessalmente prefiro os deuses nórdicos, a energia deles, o humor deles, o universo e a linguagem deles, não gosto também de misturar… mas essa música é linda, a experiência é divina.
O texto em latim é a letra da música, alguém traduziu assim:
Venus, repudiando seu parente Netuno, vem trazendo Baco apropriadamente atrás de si. A deusa o abraça antes de todos os outros, porque ele despreza a sombria abstnência.
As associações com a mitologia grega são Vênus-Afrodite, Netuno-Poseidon, Baco-Dionísio.
Vênus nasceu de dentro uma concha de madrepérola, gerada pelas espumas do mar. É a beleza. Os romanos se consideravam descendentes dela e Camões a coloca como apoiante dos navegantes portugueses.
10
Dec
O mundo estava quente e pessoas morriam de fome, sede e doenças do calor. Era um verão interminável.
Mas a natureza sabe se adaptar e sobreviver, então nasceu um menino que sabia trazer o frio, ele foi o controle. E por anos o mundo foi novamente um lugar agradável de se viver.
O menino cresceu, se tornou um adolescente, e o adolescente se tornou um homem. E esse homem se sentiu sozinho, o gelo dominou seu coração. Ninguém lhe oferecia o calor do carinho: temiam a volta do verão.
Ele se cansou, gelo por gelo, sozinho entre vivos ou mortos, e congelou o mundo, num inverno sem fim.
08
Dec
Eu me lembro de muita coisa que minha professora de Antropologia da Unesp dizia, ela adorava falar de Alteridade e Morin, se vestia de um jeito muito diferente, com saias enormes, colares cheios de penas, sementes e um cabelo enorme. Eu adorava as aulas dela, e disso eu sinto falta.
Uma vez ela disse que nunca teve um filho porque filhos são coisas que se levam para sempre, ela não queria nenhum laço para sempre.
Também penso naquela visão que nascemos e reencarnamos, sempre saldando débitos ou créditos de vidas passadas. Visão que eu não gosto, inclusive, e não consigo “encaixar” isso em uma visão oriental original, só como um “erro de tradução”, ou “transição de cultura”, um equívoco. Mas eu não opino mais que isso, não estudo cultura oriental.
Eu sempre gostei de usar meu nome junto com palavras como “vento” e “espírito livre”. Eu concordo com a professora, não gosto de nada prometido para sempre.
Não penso que seja irresponsabilidade. Como vou prometer um amor eterno? Como vou prometer uma amizade plena e cheia de confiança se eu mudo, se o outro muda?
O que eu procuro é não trair a minha essência, não trair o meu caminho. Ande comigo quem está no mesmo caminho agora, e vamos aproveitar, até que tenhamos que nos separar. A vida também é separações, e isto não é triste, é parte de nossa história.
19
Nov
Quando eu comecei a escrever imaginava editoras e o mercado como um vilão, destruindo a criatividade, mutilando a obra e enxertando imagens inapropriadas com o que idealizei.
Quando comecei a trabalhar como designer passei pela mesma situação. Mas logo percebi que insistir nessa idéia seria investir num stress e numa doença posteriores.
Mas a postura continua por aí, eu sempre vejo. E eu acredito que essa flexibilidade tem muita ligação com o meu post anterior.
Semana passada comecei a ver uma série nova da Warner, inédita no Brasil, chamada Merlin - indicação do Fake. No orkut algumas pessoas reclamam que o roteiro da série não é fiel à “verdadeira história” do Rei Arthur. Não vou me extender dizendo que não existe uma “verdadeira história” e sim várias versões, como é comum em qualquer mitologia, ainda mais na celta.
Um problema parecido veio quando lançaram O Senhor dos Anéis no cinema, apesar de não tão diferente à história original do livro.
E quantas outras adaptações passaram por isso? Beowulf recentemente, por exemplo.
A versão mais antiga de Beowulf é do ano 1000 da Era Comum (ou Cristã), escrito em antigo inglês, provavelmente copiada por monges, e cheia de “enxertos” e “adaptações” cristãs ao que se supõe ser a história original, pagã. O filme é só mais uma das adaptações em cima da história, tirando a visão cristã. Outras fantasiam sobre isso.
As áreas da literatura e do design têm algo em comum: a criação. E apesar de eu não ser um escritor profissional já experimentei e estudei um pouco do que é “escrever”. E como qualquer profissional, não se trabalha somente pela arte, mas se têm em vista o mercado - e o mercado é feito de pessoas que compram sua idéia se se sentirem tocadas, se houver comunicação com o “mundo interior” delas, com seus valores, princípios e emoções, incluindo o medo e o desejo.
Exemplo prático: um dia na agência que trabalhei desenvolvi uma peça com fundo escuro. Ficou linda, mas o cliente pediu para deixar o fundo branco, eu resmunguei, mas mudei a cor do fundo, os efeitos que tinham ficado bons para o fundo escuro ficaram terríveis no fundo branco, então eu refiz todos os efeitos e suavizei. Mantive a “alma” da peça, mas clareei. Eu já vi gente simplesmente mandando o fundo de cor trocada e reclamando que o cliente destruiu a peça, faltou tato, na minha opinião.
Acontece isso com adaptações para o cinema, para o teatro, para qualquer coisa! A alma não está nas formas ou nas cores, nas palavras. Beowulf foi adaptado para os tempos cristãos e se manteve. Senhor dos Anéis teve que ser passado para a linguagem do cinema, algo teve que ser cortado ou refeito. A alma da criação é o efeito que se espera nas pessoas, como ele é feito é irrelevante.
E voltando ao Merlin, a série não pretende reconstruir a história de Arthur, é uma criação nova, para um público diferente, e obviamente toda a história mudou, foi uma adaptação, absolutamente não fiel ao original, mas eu estou gostando do que vi, me entretem.
18
Nov
Quem quer tira uma lição a cada nova situação, e quem quer é a cada dia uma pessoa melhor. Quem não quer simplesmente se fecha e vive sua vida de cabeça dura, mas nem sempre se dando mal. Eu mudo, e mudo pelo prazer de mudar, nada mais, não preciso de porquês ou motivos. Quando a gente se abre para a mudança o mundo nos sorri e nos ensina.
E aquela idéia do nosso “mundo interior“, que eu sempre imaginei, mas foi o Anam Cara (livro de John O’Donohue) que me fez chamar assim, e hoje já encontro em outros lugares sendo chamado pelo mesmo nome, que me fascinou, e o fascínio me levou à exploração.
Li um tempo atrás um livro de Seiðr, conhecido como “shamanismo” nórdico, e uma reconstrução da técnica por um grupo americano, usam a técnica com finalidade oracular. No Seiðr o praticante coloca parte de sua alma para viajar pelos nove mundos da cosmologia nórdica. Diz-se que as perguntas são respondidas tão claramente como foram claras e fortes as suas emoções ao perguntar.
Isso me levou a outra situação. Passei por uma dificuldade, era uma situação “boba”, mas para mim era importante, era algo que me tocava. Mas era bobo e eu não quis pedir por isso nas minhas conversas com os deuses, no caso com Freyja (e talvez alguém que leia chame de oração…) Eu senti uma bronca vindo do lado de lá, senti “se isso é importante para você, se suas emoções são sinceras, não pode ser bobo, não pode não ter valor”, e eu pedi então.
Essa emoção faz parte do mundo interior que todos nós temos, faz parte da própria moral, da ética e dos nossos sonhos, dos nossos objetivos, do nosso sagrado. E cada um tem seu sagrado, seu templo ou altar interior. Nossos sonhos são nosso sagrado, e eles moldam a nossa realidade, moldam nossas atitudes e emoções tidas como ruins são sinais que algo está errado com isso, que algo está violando esse espaço.
E de tudo isso eu tirei a lição de respeitar o mundo interior alheio, todas as pessoas têm seu mundo, e não é pequeno! Como se muitos planos se sobrepusessem, como se cada um fosse uma folha transparente e manifesta para o outro algo de seu mundo através de linhas e desenhos. Os mundos sobrepostos formam uma imagem só. Pensar assim me fez ver as pessoas por outra ótica, mais humana. Faz a gente se colocar no lugar do outro antes de dizer “a culpa não foi minha”, “desculpa”, “eu não quis isso”, “que nojo”, “vai com calma” e outras tantas coisas. Faz a gente perceber que a gente pode fazer o dia de alguém feliz se souber o momento de sorrir, faz a gente perceber que pode destruir os sonhos de alguém com uma frase errada.
Quando eu admiti que não só eu tenho um mundo interior saí do centro da minha existência, viver ficou mais leve. Deixei de ser um “Atlas” e de carregar o céu nos ombros.
E isso é parte do meu aprendizado pelo que já passou da Primavera.
PS: Curiosamente, este fim de semana fiz um workshop de roteiro fantástico com o Raphael Draccon e ele também usou o termo de mundo interior como fonte das linguagens pessoais dos autores em filmes e roteiros, entre os exemplos que ele deu estão Tarantino, André Vianco e Stephen King. Vendo uma cena de um filme você sabe quem a escreveu.